{"id":1229,"date":"2023-01-09T11:38:37","date_gmt":"2023-01-09T14:38:37","guid":{"rendered":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/?p=1229"},"modified":"2023-10-25T00:33:01","modified_gmt":"2023-10-25T03:33:01","slug":"saiba-mais-sobre-a-sistematica-de-credenciamento-do-pis-cofins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/?p=1229","title":{"rendered":"Saiba mais sobre a sistem\u00e1tica de credenciamento do PIS\/COFINS"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, o Supremo Tribunal Federal, analisando o Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba 841.979\/PE, voltou a discutir tema importante relacionado a contribui\u00e7\u00f5es para a seguridade social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tratou-se, no caso concreto, de situa\u00e7\u00e3o envolvendo o regime n\u00e3o-cumulativo da PIS\/COFINS, mais especificamente as caracter\u00edsticas e peculiaridades da sistem\u00e1tica de creditamento quando da aquisi\u00e7\u00e3o de insumos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sistema tribut\u00e1rio brasileiro h\u00e1 muito convive com o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade. Inicialmente, o referido princ\u00edpio estava relacionado aos impostos sobre a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e de produtos industrializados, ambos incidentes sobre a din\u00e2mica da atividade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ocorre que, a partir da Emenda Constitucional n\u00ba 42\/2003, passou-se a admitir a institui\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es sociais sobre a receita, faturamento e importa\u00e7\u00e3o, com a possibilidade de observ\u00e2ncia da n\u00e3o-cumulatividade. Em raz\u00e3o da referida autoriza\u00e7\u00e3o, surgiu no Brasil o regime n\u00e3o cumulativo da PIS\/COFINS.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo em conta a ess\u00eancia da sistem\u00e1tica, tem-se a possibilidade de afirmar que, apesar de dividirem a mesma denomina\u00e7\u00e3o, o regime n\u00e3o cumulativo das contribui\u00e7\u00f5es sobre o faturamento e receita \u00e9 bem diferente do que j\u00e1 consolidado regime do ICMS e IPI.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A diferen\u00e7a se d\u00e1 em raz\u00e3o da pr\u00f3pria natureza do fato gerador, porquanto na PIS\/COFINS determina-se a exist\u00eancia da obriga\u00e7\u00e3o principal quando do auferimento de receitas, enquanto que no ICMS e IPI tal situa\u00e7\u00e3o ocorre quando da circula\u00e7\u00e3o dos bens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ora, na circula\u00e7\u00e3o dos bens a empresa se credita do que foi pago a t\u00edtulo de imposto nas opera\u00e7\u00f5es anteriores, como se daria ent\u00e3o a efetiva\u00e7\u00e3o da n\u00e3o cumulativade nas contribui\u00e7\u00f5es?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O legislador desenhou a sistem\u00e1tica de creditamento tendo por base as aquisi\u00e7\u00f5es de insumos, isto \u00e9, a empresa poder\u00e1 abater da base de c\u00e1lculo do ICMS e IPI o montante proporcional aos gastos com insumos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cumpre ressaltar, por oportuno, que o papel do legislador ordin\u00e1rio no desenho do regime da PIS\/COFINS \u00e9 bem mais amplo do que \u00e9 na do ICMS e IPI, sobretudo em raz\u00e3o de a n\u00e3o cumulatividade nos impostos citados ser uma obriga\u00e7\u00e3o constitucional, enquanto que no \u00e2mbito das contribui\u00e7\u00f5es ser somente uma faculdade a disposi\u00e7\u00e3o do ente tributante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim sendo, cabe maior espa\u00e7o de delibera\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da n\u00e3o cumulatividade do PIS\/COFINS, tendo, inclusive, o legislador estabelecido limita\u00e7\u00f5es ao creditamento baseadas na natureza dos insumos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pois bem, o primeiro grande debate nos tribunais superiores ocorreu no \u00e2mbito do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, quando da an\u00e1lise do REsp n\u00ba 1.221.170 \u2013 PR. Na ocasi\u00e3o, a Corte declarou a ilegalidade de duas portarias da Receita Federal que determinavam o conceito de insumo, fixando o entendimento de que o crit\u00e9rio a ser adotado para conceituar insumos pass\u00edveis de creditamento \u00e9 a \u201cessencialidade ou relev\u00e2ncia, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a import\u00e2ncia de determinado item \u2013 bem ou servi\u00e7o \u2013 para o desenvolvimento da atividade econ\u00f4mica desempenhada pelo contribuinte\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, as empresas poder\u00e3o se creditar dos valores, para abatimento da base de c\u00e1lculo do PIS\/COFINS, dos valores gastos com insumos essenciais ou relevantes \u00e0 sua atividade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de tal entendimento, a controv\u00e9rsia perdurou, chegando ao Supremo Tribunal Federal, que a analisou no j\u00e1 citado RE 841.979\/PE. A conclus\u00e3o da Suprema Corte n\u00e3o mudou os rumos do debate, limitando-se a afirmar a j\u00e1 destacada autonomia do legislador ordin\u00e1rio para deliberar sobre os aspectos da n\u00e3o cumulatividade do PIS\/COFINS, respeitados os princ\u00edpios da razoabilidade, isonomia, da livre concorr\u00eancia e da prote\u00e7\u00e3o \u00e0 confian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ademais, o Tribunal afirmou que o debate em torno do conceito de insumo n\u00e3o tinha car\u00e1ter constitucional, isto \u00e9, n\u00e3o deve decidido pela Suprema Corte. Portanto, continua valendo o entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Campina Grande\/PB, 16 de dezembro de 2022.<\/span><\/p>\n<p><b>Allan de Queiroz Ramos<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">OAB\/PB 20.574<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Andrezza Melo de Almeida<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">OAB\/PB 13.260<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Adriano de Moura Marques\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">OAB\/PB 30.318<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tenha acesso ao nosso Informativo na \u00edntegra <a href=\"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/BASE-LQ.-INFORMATIVO.-PIS.COFINS.docx.pdf\">clicando aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, o Supremo Tribunal Federal, analisando o Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba 841.979\/PE, voltou a discutir tema importante relacionado a contribui\u00e7\u00f5es para a seguridade social.\u00a0 Tratou-se, no caso concreto, de situa\u00e7\u00e3o envolvendo o regime n\u00e3o-cumulativo da PIS\/COFINS, mais especificamente as caracter\u00edsticas e peculiaridades da sistem\u00e1tica de creditamento quando da aquisi\u00e7\u00e3o de insumos.\u00a0 O sistema tribut\u00e1rio brasileiro h\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1234,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1229"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1235,"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1229\/revisions\/1235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lealqueiroz.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}